24.3.12

Sobre a cidade e a saudade.



Capitulo 3 (ou sobre o dia em que se fez festa em mim):
24.03.12 - 20:35hrs


começo dizendo que este é um texto com dois personagens: a paisagem, e uma mulher.


as duas existem. e existem até demais.
existem com força bruta, doçura e a loucura inegável de uma cidade grande e de uma mulher cheia de histórias.


dizia azul, amarelo, vermelho
ver-de perto
enquanto descia de braços dados comigo 
a rua augusta cinza.


vivi minha vida inteira em são paulo, 
e em são paulo conheci uma "super-herói"
que dizia
vêm comigo
pra ver o sol
pra que trabalhar?
vamos dançar
até de noite!
com o sorriso mais largo no rosto
e um bouquet de flores colombianas na mão.


viver em são paulo é carregar o peso de sonhos
enquanto se vê o concreto
de outros prédios
pela janela
de um carro, de um ônibus
e de um outro prédio.


minha "super-herói" têm a alma cigana
e a força de uma manada inteira.
quando eu reclamava da carência que sentia aqui
ela me fazia carinho 
como uma pena.


as marcas de são paulo têm cor de busão
trânsito
aquário, peixes e leão
numa selva de pedra
lutando todos os dias para correr nas avenidas desiguais
de pessoas desiguais
que também usam bilhete único
e adoecem da praga Kassab.


minha "super-herói" nada contra a maré
da via transbordada
de chuva em são paulo.


("Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também..." já dizia Caio F. Abreu e você nas manhãs em que desacreditar da vida estava fora dos planos).


tomando café da manhã
pra dizer
que o mundo 
não merece sua sobriedade.


a cidade dificulta a vida
e só faz afastar
mas a saudade existe todo dia
e a dor quando te dói algo, heroína
é grande demais
acredite!


porque a cidade não deixa de existir
muito menos você, minha super-herói.