31.5.12

Sobre a proporção das porções



SP, eterna conjugação de verbos
que padece
na prece
na pressa
nos sonhos enlatados, 
vistos por uma janela.

penso
com fumaça entre os dedos
na fumaça dos dias
nas paredes que separam
nas danças singulares
um respiro.
durmo, acordo, derreto
círculos
ciclos
que foda
é morar no moralismo.
SP, eterna des-construção
um amontoado de siglas e partidos
que sobe e engole paredes
mãe 
de pães embolorados
excita
SPuta
(a culpa não é sua)
que nasceu cuspida.

mas não são queixas,
porque eu gosto do gosto de estar aqui
da ilusão 
de que me viro sozinha
de foder, me foder
de enfiar 
todos os dedos na vida.
(há de se ter coragem
para fugir do asfalto
e pisar na lama).
e não há nenhum problema
com o tio da esquina que vende cocada
com os calendários
com os relógios
com as mulheres que vazam sangue
e com as paredes que engolem
os verbos
de um aurélio demolido


que constrói alguma poesia
que se entrelaça nos boletos de banco que chegam em casa
e no abraço que recebo do meu homem quando dormimos
despidos de valores
se entrelaça na minha felicidade
e na minha prece
denomino
instabilidade
pai dos meus dias
eu, mãe solteira das minhas situações.

não precisamos de mais nada além de uma porção grande 
do que acreditar.