6.9.10

Sobre amor e tempo.

Capitulo 7, 8 e 9:

junho atropelou julho que passou arrastado até agosto. a-gosto de que, de quem eu me pergunto. tantos amores retornam no mês chamado "8", tudo parece nascer, viver e morrer em trinta dias. tudo dói e alegra de um jeito lento e colorido. agosto é frio e lento.
julho preparou as armadilhas, julho e suas pequenas ratoeiras de coração para que, em agosto não houvesse mais nenhuma praga. engano meu (nosso), pois as pragas se multiplicam com facilidade.
mas não é tratando sobre pragas que construímos agosto. fizemos agosto passar lento, talvez o frio, talvez o sol no fim de agosto, talvez qualquer lembrança pelas madrugadas, as ligações no dia amanhecendo, os abraços, as saudades, qualquer desentendimento e qualquer (falta de) palavra em agosto, fizeram um muro, um caminho de pedras amarelas a ser percorrido. longo, frio, quente, seco.
em agosto não choveu um dia sequer. nenhuma chuva pra regar as flores de setembro, nem pra lavar as pragas do pensamento. tentei matar qualquer lembrança de agosto, todas as luas que passaram em um mês, todo calor que senti e toda praga que cultivei em outros e vários agostos. sinto faltas que pretendo não sentir, tento evitar os acasos, os des-casos, o destino, que se danem os astros e o amanhã. me cubro no escuro de agosto pra tentar passar um rolo compressor nessa história que sufoca e faz tão feliz. 
e se até agora não parecia se tratar de felicidade, é sim de felicidade que se trata. agosto. eu digo saudade, você não diz nada. você diz saudade eu não digo nada. nos abraçamos forte, respiramos os mesmos desejos, mas ninguém...
em agosto é muito perigoso expor qualquer sentimento, se podemos assim chamar aquilo tudo que passa aqui dentro desde a primeira vez. percorremos março, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro até nosso primeiro beijo. foi depois dele que tive medo, qualquer fuga, por dezembro, janeiro, fizemos carnaval em fevereiro, março, abril, te perdi em junho, te re-encontrei em julho. te transformei em afeto em agosto. seja lá o que significa o afeto, que venha setembro, eu não me deixo afetar mais.