13.02.11 - 9:01hrs
eis a explicação: eu sou louca.
sim. não nesse sentido bobinho que "de algum caralho e louco todo mundo têm um pouco". não! eu não tenho um pouco, eu tenho muito, porque o exagero sempre fez parte de mim e têm gente que acha um charme, mas no fundo, no fundo, ninguém quer saber da loucura de verdade.
só queria deixar avisado que existiam - e ainda existem - muitas e muitas coisas pra dizer da última vez que te encontrei, mas eu sou louca, e faz parte disso tudo ficar quieta de repente e não conseguir dizer uma palavra, porque achei que as vibrações do corpo bastavam, ou por medo. segunda opção, porque todas essas coisas externointernas são complexas, talvez só pra mim, talvez mais ainda pra você quando tudo é silêncio. mas a real disso tudo é que me bate um medo enorme de te perder se meu exagero sair de dentro pra fora, se você sacar de verdade que essa loucura toda deixa de ser um charme e passa a ser uma chatice sem limites.
então desenhei uma nuvem na sua parede na esperança de que você virasse um guru e entrasse no meu mundo louco pra entender que uma nuvem significa mais que um desenho infantil e simples. desde criança eu tenho mania de olhar o formato das nuvens no meio das viagens. e de deitar no meio da praia, em parques, matos e olhar essas formas que fazem, desfazem, complexas, tortas, imperfeitas, de um jeito onde cada um enxerga uma coisa. aí lembrei desses encontrosdesencontros que insistem em acontecer com a gente. sempre tão passageiros, no meio das madrugadas de bebedeiras, onde as coisas são ditas de uma forma complexa, torta, imperfeita, onde cada um enxerga o que quer, assim, que nem formato de nuvem.
mas a vontade que eu tive foi de desanuviar o pensamento e dizer as muitas coisas que passavam ali. nada de coisas poéticas, fofinhas, nada de pseudo-cultura, nem nenhuma dessas viagens de nuvem, coisa de gente louca. coisas simples, coisas do tipo que nem precisavam ser ditas a partir do momento que eu deixei o conforto da minha cama as 5:55hrs da matina pra ir olhar pra tua cara e saber que assumir uma postura de "somos amigos, nada vai acontecer" ia acabar naquela confusão mental toda. fiquei nervosa, me sabotei, desviei o olhar, quis dizer não, mas não disse nada. e você não percebeu (ou fingiu não perceber) que aquela era minha maior transparência: a de agir como um moleque de 13 anos, que finge estar nem aí pra nada.
a verdade é que a gente nunca devia ter começado. mas a gente começou, e agora fazer o que? vai ser isso, e não importa o que é, o que já deixou de ser, mas eu não vou pensar duas vezes antes de te ligar bêbada de madrugada quando me der na telha e não vou me forçar a dizer o que me vem no pensamento na hora "certa". uma hora eu acabo dizendo, eu não sei não dizer... só tenho um tempo diferente, sou chata.
e não sei até onde isso tudo importa. faz parte da loucura também fazer questão de ser mais louca ainda e querer explicar tudo, seja como for. respirei umas 77 vezes, fiz até questão de contar, pra não explodir e dizer demais. também porque tive preguiça e achei desnecessário explicitar que, pra mim você não é qualquer um, que gosto demais de você porque me desperta uma curiosidade engraçada, me faz ter vontade de pintar madeiras, e de demonstrar certas coisas que não faço questão. tenho vontade de saber mais e mais das coisas que passam na sua cabeça, de quais são seus ideais, de ouvir o ritmo da sua voz, saber seus desejos, o último livro que leu, qualquer bobagem. vontade de compartilhar, trocar, trazer pra perto.
mas não sei até onde tudo isso realmente importa pra mim, porque o que é bom agora, deixa de ser amanhã, que nem passagem de nuvem. então o que me prende realmente é uma vontade louca de te tocar, te morder, mastigar, e dizer que eu acho que nada deve passar disso, mesmo tendo certeza de que você é ridiculamente especial. não quero ser piegas, mas a verdade é que foi assim, desde a primeira vez que te vi.
tive também vontade de desenhar o que me veio na cabeça quando te conheci naquele balcão do sarajevo a 2 anos atrás. mas é o tipo de coisa que não sei desenhar nem com canetinha, quem dirá com pincel. qualquer dia eu tento.
talvez até assine o quadro assim, quando você me der a permissão de assinar teu quadro outra vez.